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sábado, 26 de maio de 2012

Aceitação e Empatia na convivência com o diferente


Grande verdade e sobretudo grande desafio. Bom final de semana, de preferência reservando um tempo para contemplar a natureza e recarregar as baterias.


Nos diz Flávio Gikovate - "É evidente que teremos maiores afinidades com aqueles que têm um modo de avaliar as coisas mais ou menos parecido com o nosso. Devemos, porém, tentar compreender aqueles que são bastante diferentes de nós.

Isso provocará um enorme enriquecimento da nossa vida interior, pois por meio desse tipo de experiência poderemos vivenciar outros modos de existir e de pensar sobre nossa condição. Compreender e se comunicar com todos os tipos de pessoa será sempre uma empreitada engrandecedora. Por essa via poderemos acumular um conhecimento de vida muito mais rico do que com uma atitude crítica que, na verdade, exclui e despreza tudo e todos que não forem como nós somos."

"Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar."
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 15 de maio de 2012

A diferença entre confiar e ser ingênuo



A diferença entre confiar e ser ingênuo é vasta, mesmo assim a linha divisória é muito sutil.
Ser ingênuo significa ser ignorante.
Confiar é o ato mais inteligente da existência.
E os sintomas a serem lembrados são: ambos serão enganados, ambos serão trapaceados, mas a pessoa que é ingênua se sentirá enganada, trapaceada, ficará com raiva, começará a não confiar nas pessoas. Sua ingenuidade, mais cedo ou mais tarde, se torna desconfiança.

E a pessoa que confia também será enganada, trapaceada, mas não vai se sentir lesada. Ela simplesmente sentirá compaixão por aqueles que a enganaram, que a trapacearam, e sua confiança não será perdida.
Sua confiança jamais se transformará em desconfiança para com a humanidade.
Esses são os sintomas.

No princípio, ambos parecem iguais. Mas, no final, a qualidade da ingenuidade se transforma em desconfiança, e a qualidade da confiança continua a se tornar mais confiança, mais compaixão, mais compreensão das fraquezas humanas, da fragilidade humana.

A confiança é tão valiosa que a pessoa está disposta a perder tudo, menos a confiança.

Que o Criador os faça cada vez mais fortes e confiantes.

Osho

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Quem não sabe dar nada não sabe sentir nada...

Nada melhor do que um pouco da enorme sabedoria de Nietzsche para nos ajudar a refletir a cerca da qualidade nas nossas relações. Desejo à você, leitor deste blog, uma excelente semana!

Quando sentimos que oferecemos algo ao próximo, de repente tomamos consciência de nosso valor. Ninguém é mais pobre que uma pessoa que não dá nada, pois é na doação que demonstramos nossa riqueza.

E não se trata apenas de bens materiais. A maior avareza que existe é a do coração. Os que andam pelo mundo sem transmitir seus sentimentos acabam aprisionados em uma couraça, impedidos de sentir qualquer coisa, como no conto O cavaleiro preso na armadura, de Robert Fischer.
Sobre isso, o dramaturgo Alejandro Jodorowsky disse o seguinte:
“O que você dá, dá. O que não dá, perde.”

Vale a pena verificar em que nível está nosso intercâmbio com o mundo. Assim como acontece com a economia dos países, a prosperidade depende da circulação de riquezas. Quando elas param, perdem o valor e a economia entra em recessão. O mesmo acontece com a riqueza do coração.

Tão importante quanto dar é saber receber. Somente as pessoas capazes de fazer o amor fluir em ambas as direções podem se considerar prósperas emocionalmente.

Livro : Nietzsche para estressados

Autor : Allan Percy

terça-feira, 8 de maio de 2012


Bons votos e sentimentos puros funcionam como mágica, nos relacionamentos.

Quando você nutre esses sentimentos pelos outros, automaticamente recebe o mesmo de volta.
São bençãos que são recebidas em troca de seus pensamentos nobres, das suas atitudes não-egoístas e de seu comportamento doce.
Afinal, é necessário ter um grande coração para doar bençãos a todos; mesmo àqueles que podem não ter os mesmos bons sentimentos em relação a você.
Não esqueça: são as benção que você doa aos outros que dão a você o poder para ultrapassar todas as situações difíceis que surgem no dia a dia.

Brahma Kumaris

domingo, 6 de maio de 2012

Um Pouco de Silêncio - Lya Luft

Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.

Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam connosco nem nos interessam.

Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço da sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.

O normal é ser atualizado, produtivo e bem informado. É indispensável circular, ser bem-relacionado. Quem não corre com a manada, praticamente nem existe. Se não tomar cuidado, põem-no numa jaula: um animal estranho.

Pressionados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou por trilhos determinados – como hamsteres que se alimentam da sua própria agitação.

Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo ameaça quem apanha um susto de cada vez que examina a sua alma.

Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não «se arranjou» ninguém – como se a amizade ou o amor se «arranjasse» numa loja.

Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Pensamos logo em depressão: quem sabe terapia e antidepressivos? Uma criança que não brinca ou salta ou participa de atividades frenéticas está com algum problema.

O silêncio assusta-nos por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal-resolvidas, ou se observa outro ângulo de nós mesmos. Damo-nos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre a casa, o trabalho e o bar, a praia ou o campo.

Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo para além desse que paga contas, faz amor, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais os seus desejos e medos, os seus projetos e sonhos?

No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos a casa e ligamos a televisão antes de largarmos a carteira ou a pasta. Não é para assistirmos a um programa: é pela distração.

O silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de vermos quem – ou o que – somos, adiamos o confronto com a nossa alma sem máscaras.

Mas, se aprendermos a gostar um pouco de sossego, descobrimos – em nós e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente negativas.

Nunca esqueci a experiência de quando alguém me pôs a mão no meu ombro de criança e disse:
— Fica quietinha um momento só, escuta a chuva a chegar.

E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela nos refazemos para voltarmos mais inteiros ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.

Então, por favor, dêem-me isso: um pouco de silêncio bom, para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito para além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.